terça-feira, 30 de junho de 2009

Paixão e Sexo

Apresento um conto, inacabado, que escrevo para me auxiliar em minhas próprias reflexões. A narrativa esta entrecortada por reflexões que se pretende ser de cunho espiritual para reflexão com base nos enganos cometidos pela personagem. Espero que traga algo de positivo para você também. Se gostou ou mesmo que não tenha gostado, deixe sua crítica, sugestão ou comentário. Agradeço por compartilhar sua opinião comigo, assim como estou compartilhando a minha com você. Bjos e abraços.


Introdução

Quantos (de nós) se deixaram enredar pelos sentidos da matéria e da carne e perderam-se de si e desviaram-se do caminho evolutivo nas sucessivas vidas...

Através da misericórdia divina, com muito esforço pessoal, recebemos a benção de chegar a compreensão do mal que causamos a nós mesmos pelo desejo de gozar das paixões mundanas através de tantas encarnações. Mesmo sofrendo horrores com as conseqüências dos nossos atos insanos, não conseguimos acordar para a verdade que habita em nós, pois não a reconhecemos, ofuscados que estamos pelas paixões do mundo material e pelo prazer momentâneo do sexo.

Toc, Transtorno Compulsivo Obsessivo: há quanto tempo estamos impregnando nosso ser, nosso perispírito com esse problema, hoje transformado em doença psíquica. Mal esse que foi adquirido por sempre querermos mais e mais dinheiro, sexo, prazer, satisfação do Ter em detrimento do Ser.

Prazeres que só trazem em troca dor e sofrimento!


Vamos ao Conto


Paris, 1.854

Uma belíssima mulher, na casa de seus 20 anos, endinheirada, saudável e amante dos prazeres imediatos que o mundo pode oferecer.

Volutariosa, independente, mimada, acostuma a ter tudo que o dinheiro pode pagar e a ter todos os seus desejos realizados pelos que a serviam, pelos que a geraram e por todos que a avaliavam pelos bens e beleza que possuía.

Tinha todos os homens a seus pés e gostava disso, percebia os olhares de desejos que se despejavam sobre seu corpo esbelto e sinuoso.

Como era bom ter todos os homens a seus pés, despertar o desejo, a cobiça dos homens e a inveja e o despeito das outras mulheres e a admiração de todos.

Estar acima de todos, ser a melhor e ter... ter... ter... ter... ter... ter.

(Quando Somos para o bem, quando o Ter é o necessário, a colheita no futuro, incluindo as vidas que se seguirão, se reflete em evolução sem obstáculos desnecessários.Mas quando o Ser e o Ter refletem os pensamentos da nossa personagem, ai ai, quanto penar, quanto sofrer para voltar ao caminho inicial e continuar a jornada paralisada pelas voltas que se teve de dar para retornar ao ponto inicial.)


Não tinha mais interesse nos homens daquela Paris que se tornara entediante, todos a bajulavam, tinha os homens que queria e tanto fazia se eram solteiros ou comprometidos.

Sem nenhum escrúpulo se deitava com todos que a interessassem e desfazia-se deles como roupas velhas quando se enjoava. E como se enjoava deles com facilidade.

Amor? Coisa para tolas sentimentais. Quem precisa de amor quando se tinha tudo e todos?

Quem precisava de fidelidade quando se podia tudo e ao estalar de dedos todos lhes satisfaziam as vontades?

Amizades sinceras e fieis pra que? Se bastava querer tinha a todos no bolso. E ai daquelas que acreditavam-se amigas dela, muito se magoavam ao descobrir que não passavam de mais uma sem importância.

(“A semeadura é livre, mas a colheita, obrigatória.” Sim, caro leitor, e nada como colher a solidão para entender como o outro é valoroso, importante e necessário para passarmos pelas provações que nossos próprios atos se impõe. Quanto lenitivo para a alma sofredora é o sorriso do amigo, o abraço sincero, o calor humano daqueles que se apiedam e se sensibilizam com nossas dores, nossas conquistas e compartilham conosco.)


Enfadada daquela vida sem surpresas e sem novidades, pois que a tudo já experimentara e tudo podia fazer; viu um rapaz que a atraiu sobremaneira.

Ele ajudava uma enferma com tal carinho e solicitude, e parecia fazer aquilo com uma dedicação tão sincera...

Tinha tudo e a todos a seus pés, mas nunca percebera para consigo aquela devoção que parecia vir da alma, já que a moribunda não aparentava ter dinheiro para comprar aqueles modos daquele rapaz gentil para com ela.

Quem era o rapaz que a auxiliava? Ele era belo, jovem, muito, muito atraente e mesmo assim perdia seu tempo e sua juventude cuidando de uma mulher doente.


(A inveja e o desejo de ter para si o que é de outrem... “não cobiceis a mulher do próximo”, nem o homem da próxima, porque vai desenvolver em um outro alguém sentimentos ruins que se voltaram para você e você terá de responder pelo sofrimento impingido.)


Pagou alto vulto para receber informações sobre o jovem que lhe chamara tanta atenção e descobriu ser ele rapaz simples de parcas posses. Casara-se com aquela mulher a quem a mãe fizera gosto do casamento, por se tratar de mulher direita, trabalhadora e honrada. Mais velha que ele era verdade, mas isso não importava, já que devotava sinceros sentimentos pelo jovem rapaz e passava segurança à mãe dele. E essa sabendo o filho em boas mãos, aprovara e apoiara o casamento.

Viviam vida simples, mas em harmonia. Ambos se amavam, respeitavam-se e eram ombro amigo um para o outro.

Desde que a esposa adoecera, sem que médicos houvessem descoberto o que se passava com a saudade da mulher, o marido se dividia entre o sustento da casa e os cuidados para com a convalescente.

Sentia que sua juventude se anulava para cuidar daquela que desposara, e que a vida tinha se mostrado injusta para com eles que não podiam mais viver seu amor com alegria, passeios, pic nics, danças, passeios...

Só cansaço, vigília, idas ao hospital e capelas para suplicar pela cura daquela que agora se mostrava um peso para tão jovem alma ansiando por viver bem os anos de sua juventude.

Sonhos que se esvaiam em dor e sofrimento daquela que deveria ser o motivo de sua felicidade.

Então era assim, aquele belo e pobre rapaz com uma vida inteira pela frente se consumia nos cuidados para com aquela que era a causa de seu sofrimento.

Se ela estava morrendo, então que morresse, mas deixasse viver quem ainda tinha tanta vida pela frente.

Sabendo dos afazeres do rapaz, seus horários e locais por onde passava, passou a estar presente como quem nada quer e encontrar-se por coincidência com ele.

Olhava-o sorrateiramente a principio. Provocou situações que o obrigavam a olhar para ela. Via-lhe a reação que causava. Incomodava-se por ele não se derramar aos pés dela como os outros homens faziam. Inquietava-se. Desejava-o cada vez mais. Quanto mais ele a tratava com desinteresse mais sua alma ansiava por tê-lo para si.

Deitada no sofá glamoroso, sorvendo um copo de refresco pensava num jeito de atrai-lo para si, de ter para si todo o devotamento daquele jovem que sua posição e beleza pareciam não comprar.

Então decidiu que com aquele tinha de agir de modo diferente se o quisesse para si e o queria, muito.

Deveria esperar sua esposa falecer e então consolá-lo? Não, pois que há tempos ela vinha doente e não morrera ainda e isso poderia levar muito tempo. Tinha de cuidar para que ambos pudessem desfrutar da juventude que ainda tinham e deixar a moribunda que vivesse seus últimos dias em paz. Já que não podia fazer nada para tornar aquele jovem feliz, então ela o faria.


(A falta de sensibilidade, os sentimentos inferiores e o completo desrespeito pela vida e pelos direitos dos outros... ah... Como são insensatos os corações imprudentes, imediatistas e vaidosos!
Quem tem o direito de sentir-se melhor que outro alguém? Porque se Deus Misericordioso agraciou uns com bens materiais, saúde e beleza foi para um bem maior e não para envaidecimento próprio, enquanto outros padecem para quitação dos próprios débitos e evolução pessoal. Lembrando que todos caminhamos lado a lado, e não há aquele que evolua sozinho deixando os outros para trás, pois que enquanto houver um de nossos companheiros de jornada para trás, estaremos nós mesmos presos aos meandros do mundo terreno. Não sabeis pois que se hoje auxilias teu irmão em sofrimento, amanha serás socorrido e assim todos chegaremos juntos ao seio do Pai, onde há muitas moradas esperando pelo nosso regresso?)


Armando situação para dar inicio à sua proposta de sedução contra a vitima incauta, lograra êxito em chamar-lhe a atenção para ela.

Logo passaram a conversar, ele muito intimidado pela posição social e beleza da jovem que lhe sorria de modo tão fácil e com tanta simpatia, ela fazendo-se sensual e usando das artimanhas que dispunha para seduzi-lo aos seus encantos.

Mostrando-se simpática aos sentimentos dele para com a esposa doente e solicita para ajudar no que fosse possível a pobre moribunda, marcou de fazer-lhe visita no lar a pretexto de amizade. Sem jeito e muito agradecido, o jovem quis recusar, pois a casa era humilde e devido ao estado adoentado da esposa não estava em melhores condições de arrumação. Demonstrando descaso para com essas “bobeiras”, deixou-o tranqüilizado, afinal ia em missão de visita a pessoa acamada e sabia como eram essas coisas.

Bobagem, não gostava de lugares simples e mal arrumados, estava acostumada a servidores que deixavam tudo arrumado e sempre em dia para sua satisfação, sem que precisasse pegar um lenço para colocar no lugar. Mas não estava indo para ver nem o local onde ele morava, nem a esposa que jazia no leito. Mas sim para conquistá-lo e vendo o local onde vivia, podia tramar melhor como encantá-lo.


(Ai dos corações traiçoeiros, que tramam na solidão, achando que ninguém os vê! Deus, que é Pai Zeloso, a tudo vê e todos os corações conhece. E com imenso amor, corrige seus filhos para o bem.
Aquele que tramou ontem, terá de pagar por seus erros hoje e assim aprender a tornar-se melhor. De uma forma ou de outra, descobrira que tem de fazer para o outro aquilo que deseja para si próprio, pois doutra forma, recebera de volta dor e sofrimento. E louvado seja Deus se conseguir somente essas coisas, pois o ódio que despertamos é grande barreira para a libertação. “Perdoe, não sete, mas setenta vezes sete”, já dizia o Grande Mestre do Amor e da Caridade.)


Tendo chegado à casa do objeto de seus desejos, chamou e foi recebida pelo jovem com um sorriso que a fazia desmaiar-se por dentro. Como o achava lindo. A cada dia que o via novamente, ele se mostrava maravilhoso mais e mais... Estava apaixonada, não restava duvida. Ali estava o homem dos seus sonhos, sua alma gêmea, a metade que iria completar-lhe.


(este conto, como disse, está inacabado... vamos construi-lo com o passar dos dias)